Me deu vontade de vir postar aqui.
Eu nunca parei pra pensar, mas acho que o 7º dia realmente tem importância... Cristãos e Adventistas o preservam por acharem que é um dia de descanso depois de uma semana árdua de trabalho. Dia de orar e fazer uma cerimônia pra familiares e amigos falecidos, o fim de um ciclo de 7 dias, talvez o início de uma nova era (ou talvez apenas o início de outro ciclo idêntico ao que passou). A questão é que hoje se encerra o primeiro ciclo que eu passei sem falar com você. Não sei direito se foi doloroso ou aliviante, posso afirmar apenas que foi estranho... Sim, estranho. É normal estranhar a quebra de um hábito até então constante de muito tempo, e o meu grande hábito era você. Era um hábito até então prazeroso, mas com pitadas de tensão e doses cavalares de emoção e esperança.
Hoje eu estava folheando o caderno de Química e encontrei um texto que eu escrevi durante a aula, falando dos meus sentimentos e de você. É um texto meio que duvidando da vida, desabafando sobre os meus sentimentos e frustrações e te colocando num pedestal, achando que você era responsável por grande parte da minha felicidade. O mais curioso de tudo é que ele foi escrito na manhã do pior dia da minha vida, o dia que você me contou que existia uma outra mulher em sua vida e que mais tarde tomou o meu lugar.
O tempo vai passando e constantemente eu olho pro relógio e acabo me deparando com horas e minutos iguais. 22:22, 18:18, 00:00... Será que você está pensando em mim? Tudo o que eu fiz foi mostrar a minha verdadeira personalidade - confesso que as vezes até em exagero -, e descontroles fazem parte dela. Você parecia não ligar e achar graça nos meus defeitos, e muitas vezes até se identificava. Será que eu te assustei? O que eu fiz de errado?
Olhando pra trás eu visualizo a minha janela. Eu poderia escrever mil textos falando de janelas, dizendo que elas são o melhor jeito de observar o mundo sem sair da sua zona de conforto, mas não. A janela pra mim tem outro significado, ela foi o grande palco das maiores emoções da minha vida. O parapeito acolheu os meus cotovelos debruçados, o cinzeiro e o porta-incenso. Toda madrugada eu fazia o mesmo ritual: acendia um cigarro, pegava o telefone e discava o seu número que rapidamente havia sido decorado. Esperava por alguns - agonizantes - segundos e finalmente ouvia a sua voz, que era o meu combustível e motivo certo de felicidade. Enquanto falávamos sobre o futuro, dividíamos segredos e deixávamos escapar lágrimas de emoção, eu conseguia sentir o doce cheiro das madrugadas de Janeiro e o vento noturno do verão batendo sobre o meu rosto de forma serena. Eu costumava mexer na argola que adorna o meu nariz e morder o lábio enquanto você me confidenciava coisas que toda garota gostaria de escutar, e roçava minhas pernas trêmulas uma na outra quando eu conseguia vomitar algumas frases que a minha mente louca e apaixonada formulava. A rua estava sempre vazia, e isso me trazia a paz que eu precisava para equilibrar a tensão e a angústia de não te ter do meu lado.
Até que um dia você mudou de cidade, e automaticamente mudou de vida. Nossas conversas já não eram mais as mesmas e a distância, que antes era uma motivação e/ou um detalhe, começou a ter um peso maior do que nunca. Seria o início do fim? Provável. Nesse mesmo dia que eu folheei o caderno de Química e encontrei o tal texto, tudo o que eu havia suspeitado começou a se concretizar... E dois dias depois concretizou de vez. Vi que você realmente tinha encontrado uma outra mulher, por mais impulsivo que isso possa ter sido da sua parte. Ali eu posso dizer que experimentei uma dor de verdade. Uma dor que misturava a frustração, a incerteza, a perda e a decepção. Será que em todo esse tempo você nunca me amou? Será que eu vivi uma ilusão? Comecei a me auto-destruir, o excesso de amor me corroeu e deixou sequelas na minha vida. Saber que todos os planos que construímos desapareceram com tamanha frieza e que todos os dizeres que você direcionava a mim serão ouvidos por uma outra mulher dói demais.
Tudo o que eu queria na vida é entender o motivo desse fim tão insensível. Qual o motivo disso tudo? Por que você fez isso comigo? Em todo esse tempo eu sempre achei que tudo que eu ouvia era verdadeiro, mas o fato de você ter começado a namorar me faz duvidar disso. Você foi a minha vida. Agora, nesse momento tão difícil, nem o Nando Reis consegue me consolar. Ah, Nando Reis... O compositor das nossas trilhas sonoras. Tantas lembranças...
Por pior que isso tudo tenha sido, eu ainda tenho esperanças. Vou vivendo a minha vida na medida do possível, espero encontrar alguém que me dê segurança para eu me entregar por inteira mais uma vez sem medo de alguma outra desilusão, porque isso teve um impacto anormal na minha vida. Mas sempre vou lembrar de você, D., como o homem que um dia eu planejei a minha vida inteira e jurei que era a pessoa pra quem eu guardei o amor que eu nunca soube dar. O homem que me ajudou a me conhecer mais e a ver que o amor existe, ainda que isso talvez tenha sido apenas da minha parte (ou não). Espero que você realmente tenha tido um bom motivo pra ter feito isso, ainda que isso seja meio incompreensível para mim. Obrigada pelos momentos bons, quem sabe algum dia a gente não volte a se encontrar? Nesses giros do mundo, nessas esquinas da vida...
eu te amo.