quarta-feira, 29 de dezembro de 2010



you're not here, never was and probably never will.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

memórias

Um dia você percebe que, por mais firme que esteja a sua caminhada, uma hora você vai cair. Você percebe que a sua armadura não é impermeável e que o seu escudo não é indestrutível, você vai cair. Em algumas vezes vão ser pequenos tropeções, em outras você vai cair de joelhos e levantar rápido e, por fim, não muitas mas dolorosas vezes, você vai cair de cara no chão e vai sentir novamente a dor que você pensava que tinha passado; a casquinha do machucado vai sair, os pontos da cicatriz vão se romper e você vai voltar a sangrar.
O rio de sangue tem a nascente nos espelhos da alma, segue o fluxo pelo leito do pescoço - misturando-se com a sensação de queimação - , passa pelos braços e desagua em uma folha em branco, onde as gotas se aglomeram e formam palavras sinceras. Palavras reveladoras porém secretas, que se misturam com o perfume da lembrança dos tempos em que a felicidade predominava junto com o medo e a insegurança.
É uma madrugada igual a de 1 ano atrás, o vento noturno do verão sopra em direção ao lugar onde eu mais desejava e ainda desejo estar. A brisa vai batendo no meu rosto e nos meus braços apoiados no parapeito da janela, refrescando a memória de longo prazo e trazendo consigo o cheiro da noite. Olho para os lados e só enxergo uma calçada vazia iluminada apenas pela luz alaranjada do poste. Você não está ali, nunca esteve e nunca estará; posso ficar a minha vida toda esperando, eu sei que vai ser em vão.
Olho para o céu, vejo um borrão preto com pontos brilhantes, alguns deles escondidos pelos galhos de árvores. Me transporto para cima de tais galhos, procuro com calma e finalmente encontro a mais bela imagem da ausência do sol: a lua. Lua, lua... Uma das maiores testemunhas de toda a história. Antigamente eu conseguia sentir, ao olhar para ela, se ele também estava olhando. Nossos olhares alcançavam a bela imagem e se refletiam, essa era a única forma de olharmos nos olhos um do outro. Tentei olhar para a lua da mesma forma que eu olhava há 1 ano atrás para ver se conseguia ter a mesma sensação, mas não obtive êxito.
O destino agiu novamente e nos separou de vez, acabando com todas as esperanças de encurtar a estrada. Estou sozinha novamente, sempre estive e sempre estarei.... Porém, dessa vez sabendo que não existe mais uma alma no mundo além de mim que deita a cabeça todos os dias no travesseiro com um sentimento recíproco. Solidão esta testemunhada por uma rua vazia, um cinzeiro cheio, uma embalagem vazia de chocolate, um ventilador girando devagar e um coração transbordando.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


time flies...